O Grupo R+ Saúde é uma instituição,  especializada em gerir estabelecimentos de saúde, a exemplo de clínicas e hospitais.

Seu nome faz referência à matemática na representação do conjunto de números reais positivos (R+) que vai ao encontro da missão do grupo, que é gerar sempre um resultado positivo nas instituições de saúde que administra.

R+ Saúde funciona como um CSC- Centro de Serviços Compartilhados, onde são executadas as atividades meio das instituições geridas. Como por exemplo, a contabilidade, gestão financeira, gestão de recursos humanos, central de compras, gestão de TI, dentre outras.

A centralização dessas atividades gera diversos benefícios às empresas, principalmente no que diz respeito a redução de custos e aumento da produtividade.

É nesse modelo de gestão que são administradas atualmente grandes empresas do setor de serviços, como os bancos, as cias telefônicas, gestoras de universidades e de serviços de saúde.

A meta da R+ Saúde é estar à frente da gestão de ao menos 20 hospitais e clínicas nas capitais e cidades com mais de 150 mil habitantes.

Como surgiu o R+ Saúde

Após suas experiências como gestor de saúde à frente do Hospital Hilton Rocha e como gestor municipal na prefeitura de Montes Claros, Ruy Muniz conseguiu identificar as principais causas, que levam os hospitais e clínicas entrarem em dificuldade.

As principais dificuldades se resumem, especialmente à falta de boas práticas de gestão administrativa, isolamento institucional e uma ausência de planejamento de curto, médio e longo prazos. Estes problemas podem ser resolvidos com a centralização da gestão em um Centro de Serviços Compartilhados, onde atuarão profissionais de altíssima competência, com larga experiência em boas práticas de gestão, sendo compartilhados por várias instituições de saúde, portanto a um custo acessível.

A experiência como gestor de saúde – Hospital de Olhos da Fundação Hilton Rocha

ruy muniz em visita ao Hilton RochaTudo começou quando Ruy Muniz assumiu a administração da Fundação Hilton Rocha, em Belo Horizonte no ano de 2005. Na época o hospital passava por uma grave crise, com 10 meses de salários atrasados e uma dívida de 1,8 milhão. O atendimento estava restrito a poucas pessoas e o curso de residência médica em oftalmologia suspenso. Foi feito um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela Sociedade Educativa do Brasil – Soebras, Ministério Público do Estado de Minas Gerais/Curadoria das Fundações e a Fundação Hilton Rocha, firmando o compromisso de recuperar o Hospital de Olhos da Fundação Hilton Rocha, garantindo o atendimento de qualidade à população de Minas Gerais e segurança aos médicos, funcionários e credores.

Passados 14 anos sob a nova administração, o Hilton Rocha é um hospital escola, referência no atendimento e formação em oftalmologia, sendo seu atendimento destinado 100% ao SUS – Sistema Único de Saúde.

Entendendo os dois lados – Prefeito de Montes Claros

ruy muniz prefeitoAlém da experiência na recuperação e gestão do Hospital Hilton Rocha, Ruy Muniz foi prefeito de Montes Claros no período de 2013 a 2016. Nesse período se deparou com o desafio de fazer a saúde pública da maior cidade do Norte de Minas, cheia de vícios e jogos de interesses, funcionar.

Montes Claros é um polo educacional e de saúde do Norte de Minas, possui 3 faculdades de medicina e um sistema de saúde completo. No entanto, atende a diversos municípios nos seus arredores e sul da Bahia. Mesmo com toda a sua estrutura, a demanda por seus serviços é alta, uma vez que dela dependem 1,6 milhões de pessoas.

Ao assumir a prefeitura, Ruy Muniz foi por diversas vezes incompreendido, por exigir dos hospitais o cumprimento dos contratos do SUS. Um vício que já vinha sendo praticado há muitos anos por falta de fiscalização: os hospitais recebiam um valor cheio pelos procedimentos, mesmo sem a comprovação da realização dos mesmos. Ainda assim, negociou com os hospitais e conseguiu, com aumento da produção de serviços de média e alta complexidade, aumentar o orçamento da saúde de Montes Claros, de 180 milhões para 350 milhões. O aumento do orçamento da saúde foi conseguido com diversas ações:

  • Aumento das equipes de saúde da família de 66 para 140 equipes
  • Equipes de melhor em casa (internação em casa, reduz os custos de internação e o paciente fica próximo a família)
  • Prevenção: atingindo metas de vacinas e prevenção de endemias
  • Valorização dos profissionais, pagando produtividade com alcance das metas
  • Aumento de produção de procedimentos de média e alta complexidade.

A melhoria dos serviços de saúde em Montes Claros durante a gestão de Ruy Muniz foi reconhecida pela Instituto de Pesquisa MacroPlan, que em seu estudo Desafios da Gestão Municipal, publicado pela revista Exame em 2017, relativo a período de 2013 a 2015, considerou Montes Claros com o melhor IDGM Saúde,  entre as 100 maiores cidades do país, conforme a tabela abaixo.

montes claros IDGM Saúde

A pesquisa

Compreendendo o lado de quem contrata e entendendo o lado dos prestadores de serviços mais a experiência da Fundação Hilton Rocha, Ruy Muniz, ao deixar a prefeitura decidiu empreender um projeto novo na saúde do Brasil. Começou a estudar os problemas dos hospitais no país e descobriu que existia uma crise generalizada, tanto nos hospitais públicos quanto privados.

Fazendo um estudo mais profundo, os gestores apontaram 5 causas como principais para essa crise:

  1. Subfinanciamento do SUS: tabela defasada, paga mal, mas muitos hospitais sobrevivem, então essa questão também não pode ser vista como um fator primordial.
  2. Número elevado de estabelecimentos de saúde sem sustentabilidade: muitos hospitais pequenos sem rentabilidade, sem resolutividade, localizados em cidades pequenas.
  3. Estrutura defasada: o mundo modernizou com o desenvolvimento tecnológico e o que vale atualmente é a escala (volume de atendimentos a um custo reduzido). No entanto, os hospitais ainda funcionam como ilhas isoladas. Não há escala de gestão para compartilhamento de compras, sistemas, etc e os custos para manter a estrutura hospitalar sozinha são altos.
  4. Falta de planejamento dos gestores:  excesso de urgência e emergência e demais estruturas caras e sem necessidade. O SUS não funciona como sistema único, mas como diversos sistemas sobrepostos.
  5. Corrupção e fraude: muitos gestores apontam que trabalhar com médico é difícil e justificam como se fossem insubordinados e fraudadores, fazem acordos diretamente com o paciente, por fora com clínicas e etc. O que não pode ser tido como regra mas exceção, pois corrupção existe em todas as áreas, mas a grande maioria são profissionais sérios e dedicados ao seu propósito.

Mesmo com todos esses problemas relatados por gestores de hospitais, outras redes surgiram e ampliaram suas unidades utilizando um modelo de gestão integrada, como a Unimed BH, Rede D’or, Rede Amil e grandes hospitais como Sírio Libanês, Albert Einsten e Mater Dai.

Estrutura e funcionamento da R+ Saúde

A R+ Saúde consistem em um centro de serviços compartilhados que presta serviços de gestão a clínicas e hospitais. Os principais serviços ofertados são:

  • Contabilidade: o mesmo escritório atende vários hospitais.
  • Gestão de Recursos Humanos: rotinas de contratação e demissão, capacitação e gestão de benefícios.
  • Gestão financeira: contas a receber, contas a pagar.
  • Central de Compras: insumos, medicamentos, aumento do poder de barganha e redução o custo.
  • TI: sistemas de gestão com tecnologia de ponta.
  • Assistência Jurídica.
  • Departamento de Marketing.
  • Engenharia clínica: manutenção de aparelhos.
  • Projetos: expansão, obras, controle dos credenciamentos, vigilância, etc.
  • Protocolos e condutas médicas: protocolos/padronização de condutas médicas
  • Humanização de atendimento.
  • Soluções financeiras: alongar as dívidas existentes, reduzindo taxa de juros e prestação (fundos de investimento e negociação com bancos).
  • Negociação conjunta com planos de saúde.

Critérios para as instituições de saúde integrarem a R+

  • Hospitais e clínicas situados em cidades com mais 150 mil habitantes, a no máximo 150 km de Faculdades de Medicina.
  • Possuir um faturamento igual ou superior de 2,5 milhões por mês ou 30 mi/ano
  • Atender média e/ou alta complexidade
  • Possuir mais de 100 leitos

Para integração dos hospitais a R+ Saúde é feita a aquisição ou arrendamento quando, o hospital é particular e contrato de gestão, quando for filantrópico ou público. Visto que, construir é mais oneroso e leva muito tempo.

Estratégias de Sustentabilidade

As estratégias de sustentabilidade da R+ Saúde, que tornarão viáveis as operações dos hospitais e clínicas são:

  1. Atender SUS – 60%: O objetivo é, principalmente, cumprir a função social de levar a saúde de qualidade as camadas mais necessitadas da sociedade. Alcançado esse objetivo, o que é suficiente para manter os custos fixos operacionais dos hospitais, como folha de pagamento de funcionários, escalas médicas de plantão e as despesas básicas, além de obter a isenção tributária.
  2. Atender de 30 a 40% planos de saúde e particular: Nessa fatia o hospital terá rendimento para proporcionar aos profissionais uma remuneração atrativa que os mantenham nos hospitais e trabalhem motivados. E possibilitar a realização de investimentos permanentes.
  3. Transformar os hospitais da R+ em hospitais de ensino: Hospitais de ensino possuem residências médicas, internato de alunos de medicina e outros cursos da área da saúde. Os médicos em hospitais de ensino são profissionais que realizam dupla função, ao mesmo tempo que dão assistência ao paciente, ensinam os alunos. Exerce atividades docentes assistenciais. Um aspecto a destacar é que os alunos e residentes funcionam como um controle de qualidade, pois estão sempre estudando novas técnicas e sendo avaliados, validam também os processos e rotinas hospitalares.
  4. Implantar pesquisa clínica: com pacientes do SUS, docentes mestres e doutores é possível realizar pesquisas clínicas e receber investimentos da indústria farmacêutica e de órgãos de fomento.

“A saúde de qualidade é um direito de todos os brasileiros e deve ser uma obrigação do Estado. Todos os esforços devem ser somados para viabilizar a assistência a saúde. Seja através de hospitais públicos, filantrópicos ou particulares. Devemos todos ter consciência, que os recursos são limitados e as demandas infinitas, portanto, tem que haver planejamento e boas práticas de gestão para garantir a sustentabilidade dos serviços de saúde” – Ruy Muniz